quinta-feira, abril 08, 2004

Diário de um papai fresco - III
Em casa, seu primeiro cantinho prá descansar foi mesmo a nossa cama. Apesar de quase tudo preparado, o berço ainda não estava com os lençóis e protetores devidamente colocados etc etc...
Chegamos por volta do meio-dia e logo chegaram os pais da Cris, com o nosso almoço, prá dar "aquela" mão.

Essa parte da ajuda dos avós é realmente um capítulo à parte, pois, meu, como o pequenino consome as nossas energias! A princípio, esse novo ritmo de vida (de uma em uma hora!) me pareceu coisa de Amyr Klink navegando sozinho pelo Atlântico, como lembrou o já experiente Alex-J. A sensação de que vc está sempre com o prazo vencido é constante e demora um pouco prá organizar tudo e deixar as coisas minimamente preparadas para a próxima hora. Enquanto isso, ele mama e dorme...

À tarde, aproveitando que a minha sogra estava em casa, lá foi o papai em mais uma missão que só cabe mesmo a ele: comprar uma série de itens que faltavam. De lixinho e garrafa térmica, algodão em bolas, gaze, sabonete líquido até protetores para os seios (acho que comprei todos os modelos disponíveis), voltei prá casa trazendo até uma luminária emprestada pela Dra. Cecília para ajudar também na cicatrização dos mamilos. Aliás, essa foi uma dica sensacional.

A primeira noite em casa foi realmente prá nunca mais esquecermos. Parece que a natureza faz de propósito: a experiência tem que ser suficientemente traumática e intensa para que vc nunca se esqueça o que é ter um filho. O André chorando desesperado num volume altíssimo e o pai desesperado na cozinha tentando ferver as mamadeiras!

Na quinta, chegaram os meus pais. O avós do interior estavam ansiosos prá conhecer o netinho. Logo na segunda madrugada, era até engraçado ver quatro pessoas de pé a postos para ajudar na mamada e na troca de fraldas.
Com o passar dos dias, fomos nos acostumando também a organizar um rodízio para estes pitstops noturnos. Isso é fundamental, porque para o pequenino colocar duas, três ou quatro pessoas no chinelo é fácil, fácil...

A hora do banho e as trocas de fraldas também são capítulos que nunca se repetem de uma novela às vezes trágica e outras vezes cômica. Quase 100% das vezes que o papai resolve trocá-lo, o André resolve que é mais gostoso fazer xixi com o piu-piu livre de fraldas. Acho que dá mais liberdade, né? E o papai, sendo homem, vai entender isso bem melhor que a mamãe.

continua...

quarta-feira, março 31, 2004

Diário de um papai fresco - II
Nem bem chegamos em casa e já saímos de volta para o hospital. Tínhamos feito apenas uma parada na D. Amélia, mãe da Cris, para um almoço rápido. Afinal de contas, o André tinha os horários certos para as mamadas. Chegando lá, nos deram crachás de "UTI Neonatal". Eu já tinha visto umas pessoas com esses crachás nos dias anteriores e é inevitável olhar prá eles e não lembrar de sofrimento, preocupação... e solidariedade. Senti que ao portá-lo também despertava esses sentimentos nas pessoas. A Cris acabou fazendo amizade com várias outras mães que também esperavam pela hora de amamentar seus filhos. Algumas ainda teriam que continuar com essa rotina por vários meses, pois seus filhos haviam nascidos prematuros. Alguns de 6 meses... Na UTI, a Cris aproveitou para fazer um curso intensivo de amamentação. Taí uma coisa que não é tão fácil quanto parece. Lembrei-me de umas fotos (não sei bem de onde vem essa referência) de umas mães amamentando seus bebês sob uma luz suave, como que filtrada por um véu, a expressão cândida e tranquila... Uma imagem muito doce de fato, porém, um tanto romântica. A verdade é que essa atividade é difícil. Mesmo com o bebê faminto e querendo mamar e a mãe com o leite e querendo amamentar, as coisas não rolam muito fácil no começo. E geralmente é doloroso para a mãe. É por isso que tantas desistem.

Prá ficar mais fácil o vai-e-vem ao hospital, já que as mamadas eram a cada duas horas, acabamos nos hospedando na casa da Helena, que ficava mais perto. Naquela noite ainda jantamos e dormimos por lá.

Na manhã seguinte, cheios de expectativa, voltamos ao hospital. Caso a taxa de bilirrubina apresentasse queda em relação à última medição, o André teria alta!
Por volta de umas 10 e meia, veio a confirmação: sua taxa baixara de 12,9 para 6,8. Ele estava liberado!

Lá foi o papai novamente resolver os papéis da alta na tesouraria.
Tudo certo, levamos o pequenino todo enrolado em sua mantinha azul.
Agora sim, a tão esperada viagem de volta prá casa... a três.
No carro, sentindo a velocidade reduzida, os vidros fechados e a minha constante monitoração pelo espelho retrovisor, a Cris falou: "pode ligar o rádio, papai". Foi bom prá descontrair.
Liguei e... ufa! Estava sintonizado na Kiss FM. A primeira música do André foi só o restinho de "Oh Susie!", do Secret Service. Mas só deu prá ouvir o finalzinho: "We were much too young...". Em seguida entrou "Everybody wants to rule the world", do Tears for Fears. Foi bom prá ele saber desde cedo que este é um mundo onde todos querem ditar suas regras. Na hora do solo de guitarra, dei uma leve aumentadinha. Com seus dedos longos, quem sabe ele não executará com perfeição o solo do Roland Orzabal que seu pai nunca conseguiu?

Falando em música, esqueci de comentar que algum filho de roqueiro deve ter nascido no mesmo dia que o André lá no hospital. O Cícero me contou que viu o João Gordo no corredor. Na segunda-feira, ao descer para a garagem com o Marco, encontrei o Andreas Kisser, do Sepultura.

continua...

quarta-feira, setembro 24, 2008

As aventuras de Johny X - Cap V

_Cê tá lôco, é? - disse Gilson, olhando nervosamente para os lados enquanto puxava Johny para dentro de casa. - Tá querendo me fuder, é?
_Eu? Tô querendo te fuder?? - berrou Johny - Tem dez dias que eu tô com medo da minha sombra e você vem me dizer que eu tô querendo te fuder?
_Vê se fala baixo, senão a ...
Nem terminou de completar a frase quando uma garotinha de vestido azul claro e maria-chiquinhas apareceu e já foi falando:
_Quem é, papai?
_Não é ninguém. Vai brincar lá dentro agora, tá bom? disse Gilson.
_ Ninguém? Como assim, ninguém? Eu tô vendo ele... - disse a garotinha franzindo as sobrancelhas.
_ Jéssica! Papai falou prá você ir prá dentro agora!
E lá se foi a pequena, toda contrariada.

_Você não tem noção... se alguém te vê aqui, eu tô ferrado. Você não podia ter feito isso cara, não podia.
_E você queria que eu fizesse o quê? Ficasse de braços cruzados esperando alguém me pegar, ou então ficasse esperando por algum outro recadinho bacana seu?
_Ah, por que eu fui me meter?... Agora vou arrumar prá minha cabeça também. Que vacilada...
_Olha aqui, eu já tô de saco cheio dessa história. Ou você me fala logo o que tá acontecendo ou eu não te dou mais sossego. Cê tá entendendo?
_ Caralho... - suspirou Gilson. Sabendo que não haveria jeito, começou a desenrolar o novelo:
_ O negócio é o seguinte: Um tempo atrás, vieram perguntar para um motoboy conhecido meu se ele sabia de alguém para fazer um "serviço", tá ligado? Então ele disse que não mexia com essas coisas e fim de papo. Só que daí ele ficou sabendo que esse mesmo cara foi procurar outro motoboy, que a gente sabe que tá metido com uma pá de rolo. Certamente esse aí conhece gente de sobra prá fazer esse trampo.
_ Tá bom, já entendi, o "serviço" sou eu, agora quem é que está contratando e por que?
_Não conheço. Mas ele também está sendo pago por alguém, ou você acha que o cara que quer te apagar vai sair por aí, perguntando quem faz o trampo?
_ Ok, mas por quê foram procurar logo por vocês?
_ Porque a gente já tem um certo acesso ao seu trampo, tá ligado? Fica bem mais fácil.
_Mas você não tem idéia de quem possa estar armando isso?
_Sei lá, cara. Você que tem que saber dos seus inimigos...
_ Inimigo? Eu não tenho inimigo, cassete. - se desesperava Johny.
_Ah, não? E esse aí, é o quê? Mano seu? De qualquer forma, se fosse prá dar um chute, eu diria que é alguém do seu meio... algum bacana aí do seu trampo, da sua família, sei lá. É alguém que tá perto. Como eu disse por telefone, o caso é de trairagem pro seu lado... alguém que tá se fazendo de muito amiguinho seu e tá só esperando para dar o bote.E foi só por isso que resolvi te dar esse toque. E já me arrependi...
_Maravilha... fico bem mais tranquilo... Porra, eu não mexo com ninguém, só fico na minha...
_Mesmo ficando na sua, parece que tá incomodando, né?
_Pelo jeito sim... Bom, até você que nem quer me matar, tá incomodado, né? Eu também te fiz alguma coisa?
_Fora esse jeito de playboy folgado, que se acha melhor do que os outros?
_E por isso alguém quer me matar?
_Sei lá, o que você andou fazendo para estarem querendo te apagar. Agora, uma coisa é certa, a vida não é só esse mundinho que você acha, não... Você é muito sem noção. Não é tudo nessa vida que se compra, tá ligado?
_É... tranquilidade, por exemplo.
_Você não viu nada, playboy...

>>continua

quinta-feira, março 04, 2004

As aventuras de Johny X - Cap V
_Cê tá lôco, é? - disse Gilson, olhando nervosamente para os lados enquanto puxava Johny para dentro de casa. - Tá querendo me fuder, é?
_Eu? Tô querendo te fuder?? - berrou Johny – Tem dez dias que eu tô com medo da minha sombra e você vem me dizer que eu tô querendo te fuder?
_Vê se fala baixo, senão a ...
Nem terminou de completar a frase quando uma garotinha de vestido azul claro e maria-chiquinhas apareceu e já foi falando:
_Quem é, papai?
_Não é ninguém. Vai brincar lá dentro agora, tá bom? disse Gilson.
_ Ninguém? Como assim, ninguém? Eu tô vendo ele... – disse a garotinha franzindo as sobrancelhas.
_ Jéssica! Papai falou prá você ir prá dentro agora!
E lá se foi a pequena contrariada.

_Você não tem noção... se alguém te vê aqui, eu tô ferrado. Você não podia ter feito isso cara, não podia.
_E você queria que eu fizesse o quê? Ficasse de braços cruzados esperando alguém me matar, ou então ficasse esperando por algum outro recadinho bacana seu?
_Ah, por que eu fui me meter? Agora vou arrumar prá minha cabeça também. Que vacilada...
_Olha aqui, eu já tô de saco cheio dessa estória. Ou você me fala logo o que tá acontecendo ou eu não te dou mais sossego. Cê tá entendendo?
_ Caralho... – suspirou Gilson. Sabendo que não haveria jeito, começou a desenrolar o novelo:
_ O negócio é o seguinte: Há um tempo atrás, vieram perguntar para um outro motoboy conhecido meu se ele conhecia alguém para fazer um “serviço”, tá ligado? Então ele disse que não mexia com essas coisas e fim de papo. Só que daí ele ficou sabendo que esse mesmo cara foi procurar outro motoboy, que a gente sabe que tá metido com uma pá de rolo. Certamente esse motoboy conhece gente de sobra prá fazer esse trampo.
_ Tá bom, já entendi, o “serviço” sou eu, agora quem é que está contratando?
_Não conheço. Mas ele também está sendo pago por alguém, ou você acha que o cara que quer te apagar vai sair por aí, perguntando quem faz o trampo?
_ Ok, mas por quê foram procurar logo por vocês?
_ Porque a gente já tem um certo acesso ao seu trampo, tá ligado? Fica bem mais fácil.
_Mas você não tem idéia de quem possa estar armando isso tudo?
_Sei lá, cara. Você que tem que saber dos seus inimigos...
_ Inimigo? Eu não tenho inimigo, cassete. – se desesperava Johny.
_Ah, não? E esse aí, é o quê? Mano seu? De qualquer forma, se fosse prá dar um chute, eu diria que é alguém do seu meio... do seu trampo, da sua família. É alguém que tá perto. Como eu disse por telefone, o caso é de trairagem pro seu lado... e acho que foi só por isso que resolvi te dar esse toque e já me arrependi...
_Maravilha... fico bem mais tranquilo... Porra, eu não mexo com ninguém, só fico na minha...
_Mesmo ficando na sua, parece que tá incomodando, né?
_Pelo jeito sim... Bom, até você que nem quer me matar, tá incomodado, né? Eu também te fiz alguma coisa?
_Cara, vou dizer a real prá você: cê tem um jeito de playboy folgado e metido que é duro de engolir.
_E por isso alguém quer me matar?
_Sei lá, o que você andou fazendo para estarem querendo te apagar. Mas uma coisa é certa, a vida não é só esse mundinho que você acha, não... Você é muito sem noção. Não é tudo nessa vida que se compra, tá ligado?
_É... tranquilidade, por exemplo.
_Você não viu nada, playboy...

>continua

sexta-feira, março 26, 2004

Diário de um papai fresco - I
Eu estava justamente comentando com o Alex-J, via e-mail, apesar dos 30 e tantos passos de distância que nos separam, de como os partos naturais estão cada vez menos naturais e de como me sentia desconfortável em ter que escolher uma data para o nascimento do André. Afinal de contas, o obstetra já havia adiantado que pouco provavelmente a Cris entraria em trabalho de parto espontaneamente, que o nenê estava muito grande e não estava encaixado etc etc... Os mesmos argumentos-padrão que eu havia lido em uma matéria sobre porquê o número de cesarianas cresceu tanto no Brasil, apesar de a grande maioria das gestantes atestarem que prefeririam fazer um parto normal. Além disso, tinha outro detalhe: se nós marcássemos a cesárea para o dia 19/03, ele nasceria sob o signo de Peixes e se marcássemos para o dia 22/03, de Áries. Não que os signos fizessem tanta diferença para nós, mas e se fizessem prá ele? No final das contas, como disse o Alex-J no último post, André acabou decidindo sozinho.

Naquele sábado, achando que era provavelmente o último final de semana do resto de nossas vidas, aproveitamos para tentar resolver alguns últimos detalhes, fazer umas compras e a Cris aproveitou para ir ao cabeleireiro. Lá, todos comentavam sobre o tamanho da barriga, mas ela só ria e dizia: "Faltam 10 dias ainda...". Ah, se ela soubesse...
No final da tarde ainda encontramos o Vinnie e a Cristiane e, na entrada do prédio, cruzamos com o seu Darci e o Daniel. Seu Darci me confidenciaria depois que naquele momento, ao passar a mão na barriga da Cris, fez um pensamento positivo, talvez o último empurrãozinho que faltava. À noite, em frente à tv, a Cris começou a sentir as contrações. Sentindo que vinham ritmadas, me pediu para que anotasse os horários. Apesar de apreensivos, ainda não estávamos convencidos de que tinha chegado a hora. Após umas 10 contrações (que vinham de 5 em 5 minutos), tentei, em vão, contatar o obstetra. Ele havia viajado. Liguei então para a obstetra do hospital, que disse: "De 5 em 5?! Vem prá cá."

Seguimos então para o hospital e eu agradeci nessa hora por ser um sábado à noite. Tantas e tantas vezes eu havia imaginado esse momento e entrava em pânico ao pensar que poderia ocorrer em uma daquelas castigadas tardes de chuvas e alagamentos em São Paulo. Já pensou?

Chegando lá, as contrações haviam aumentado a sua intensidade. Já no estacionamento, pedi por uma cadeira de rodas. A Cris entrou na obstetrícia e eu, do lado de fora (típica cena de marido esperando em sala de hospital - só faltou o cigarro porque eu não fumo) tentava ligar ainda pro médico. Quando me chamaram, já anunciaram: "o parto vai ser agora! Se vc for assistir, é bom se apressar prá fazer a internação.". Claro, trabalho de pai nessa hora é sempre a chatice de cuidar da burocracia e dos papéis. Lá fui eu, então. A atendente, óbvio, não estava com a menor pressa. Acho que ela não sacou que o André estava ansioso prá conhecer esse mundo. Tudo resolvido, subi e me mandaram prá um vestiário. Com aquele modelito, curti uns breves segundos de Dr. Doug, do Plantão Médico. Chegando à sala de parto, passei por uma outra sala com uma placa "Sala de Reanimação". Esse nome já me deu um frio na espinha. Por sorte, eles estavam na sala ao lado. A Cris já estava toda posicionada, com aqueles panos e aqueles holofotes. Como nos filmes. Para o meu total alívio, ela já estava anestesiada e estava com a fisionomia ótima. Me lembro que eram exatamente 11h55 do dia 13. O médico perguntou: "E aí? Será que ele vai nascer no dia 13 ou 14? Agora é a mamãe quem decide." Mas novamente, não foi a mamãe quem decidiu nada. Depois de várias e várias tentativas, contração após contração, (algumas vomitadas também), ele só foi nascer à meia-noite e vinte e dois do dia 14. Devido à demora, ele já saiu um pouco sufocado, roxinho, e não chorou. Levaram-no rapidamente, e após alguns segundos que pareceram horas torturantes, ouvimos um choro forte vindo da outra sala. Fui convidado a ir conhecê-lo. Ele estava justamente na tal Sala de Reanimação, tomando seu primeiro e chocante contato com este mundo. Saíra finalmente da Matrix na barriga da Cris. Levaram-no então para um primeiro e breve contato com a mãe. Um beijinho rápido e a primeira constatação de que ele saíra mais parecido com ela (hoje isso já pode ser contestado!). Ele foi então recolhido ao berçário, mamãe emocionada continuou tomando seus pontos e aguentando sacadinhas dos médicos e papai atrapalhado foi retirar sua roupa de Plantão Médico e buscar as malas no carro e levar para o quarto (aquela parte chata que cabe aos pais).

Já no quarto, ainda sem ele, tentamos nos acomodar, exaustos, aliviados e agradecidos.
Às três e meia, toca o telefone. Era a enfermeira pedindo prá levar a primeira roupinha. Mais um trabalho para o pai. Chegando lá, pude vê-lo tomar o primeiro banho de sua vida. Ele chorava desesperadamente. O corpinho ainda estava bastante vermelho. Mesmo naquelas condições, a enfermeira, com aquela prática impressionante no trato com os bebês, calmamente penteava o seu cabelinho. Ao ser colocado no berço aquecido, ele ainda chorava sem parar, enquanto os seus vizinhos de berço dormiam profundamente. Fiquei ali no vidro por mais um tempo, com o coração em frangalhos. Às cinco e meia, trouxeram-no para o quarto! Ele já não chorava mais. Pelo contrário, tinha uma expressão tranquila e já abriu seus olhinhos para tentar enxergar o que se passava. Incrível como foi só a Cris pegá-lo no colo e ele já foi abrindo a boquinha e procurando o seu peito. Ficamos com ele até às seis e meia admirando-o sem saber muito o que fazer. Depois a enfermeira novamente o recolheu e assim seguiu essa rotina de horários.

Nos primeiros dias foi uma enorme tranquilidade. Devido à sua reserva calórica, o bebê quase não sente fome nos primeiros 3 dias e passa quase o tempo todo dormindo. E assim ele passou de mão em mão por todos os tios e tias que foram visitá-lo no hospital.

Na terça-feira de manhã, a Cris recebeu alta, mas o André teve que ficar mais um dia prá tomar o banho de luz, pois a icterícia começava a se manifestar. Apesar de todo mundo dizer o quanto isso é normal, a idéia de deixá-lo foi como uma cratera se abrindo sob os pés. A viagem do hospital prá casa que tantas vezes eu tinha imaginado e fantasiado era agora triste e silenciosa. Nos demos as mãos sobre o câmbio e não separamos nem mesmo para limpar as lágrimas no rosto.

continua...

quarta-feira, outubro 29, 2008

As aventuras de Johny X - Cap VII

"A gente pega eles? Como assim, a gente pega eles? Eu não quero pegar ninguém, não... Só quero me livrar disso tudo." - pensava Johny com seus botões.

Já fazia um mês desde o primeiro telefonema de Gilson. E neste mês, de muita tensão, a vida de Johny simplesmente virou de cabeça para baixo. O paraíso em que ele aparentemente vivia, desmoronou. Refletiu longamente sobre a possibilidade de envolver a polícia no caso e deixar profissionais que são treinados e pagos para isso (pelo menos, deveriam ser) resolvessem o problema. Acabou descartando esta opção por enquanto. Preferiu esperar um pouco mais e ver se conseguia descobrir alguma coisa. Também ficou pensando em Gilson... ainda tinha dúvidas se poderia realmente confiar nele. Alguma coisa em seu interior dizia que sim, que aquele jeito rude do motoboy, indicava também uma certa transparência e sinceridade. Mas o lado racional de Johny preferia confiar desconfiando.

Gilson suspirou. Sabia o que precisava fazer. Proteger o que tinha de mais valioso. Mais que a própria vida, o que interessava para ele, era a segurança da sua filhinha Jéssica.

_ Por que eu preciso ficar na casa da vovó? - Perguntou a pequena.
_ Porque sim.
_ Porque sim não é resposta, sabia?
_ Então, porque precisa.
_ Mas precisa por que, pai? Foi o que eu perguntei primeiro, poxa...
_ Filha, o papai jamais faria isso, se não precisasse muito. Você sabe que eu te amo, né?

Gilson não cansava de se admirar com a precocidade e inteligência da filha. Quando a mãe dela foi embora, achava que a menina sofreria muito. Mas a capacidade de adaptação das crianças é muito maior que a dos adultos. Ela nunca chorou pedindo pela mãe e raramente falava dela.

_ É só por um tempo, tá bom? Ele só não tinha idéia de quanto tempo...

Enquanto isso, no escritório, Johny pensava em quem poderia se beneficiar com sua morte... Haviam três prováveis pessoas que poderiam ocupar o lugar dele: Ricardo Andrea Luchetta, Felipe Silveira e Rodrigo Portela. Em princípio, parecia bastante improvável que qualquer uma destas pessoas pudesse ter qualquer envolvimento com uma coisa dessas. Mas ele sabia que as pessoas nunca são apenas o que aparentam. Até mesmo, ele próprio.

sexta-feira, fevereiro 27, 2004

Diário de um futuro papai II
Ontem chegaram os móveis! Berço, cômoda, balcãozinho-trocador... Tudo ainda sem decoração, sem nenhum fru-fru... Tudo ainda vazio... Mas eu não conseguia sair do quarto. Tinha que dar um checada de 5 em 5 minutos.

quarta-feira, fevereiro 18, 2004

Diário de um futuro papai
Ontem cheguei em casa, olhei para o varal e lá estavam minúsculas peças de roupa do bebê que vem por aí. Macacõezinhos, bodies, camisetinhas menores que a palma da minha mão estendida... Foi a primeira vez que vi meu varal todinho tomado por essas roupinhas. Que sensação indescritível! Hoje de manhã, antes de sair de casa, não resisti. Tive que dar mais uma espiadinha no varal.